Num discurso considerado histórico pelos seus assessores e por mais ninguém, o deputado anunciou um conjunto de compromissos que, garantiu, são diferentes dos compromissos que não cumpriu nas duas legislaturas anteriores, porque desta vez, aparentemente, é a sério a sério.
O Mamado assistiu ao discurso pelo telemóvel durante o almoço, sem surpresa. «Baixar os impostos, reduzir a burocracia, melhorar o SNS. São sempre as mesmas três frases, só muda a cara de quem as diz e o ano em que voltam a não acontecer», comentou, já a fazer beicinho de quem ouviu aquilo demasiadas vezes para continuar a fingir que acredita.
O político esclareceu que as promessas anteriores falharam por razões estruturais e conjunturais, incluindo a pandemia, a guerra, a inflação e uma oposição pouco cooperante, uma lista de culpados tão longa que só faltou incluir o trânsito.
As próximas eleições são daqui a dois anos, tempo suficiente para inventar uma nova geração de promessas com o mesmo destino das anteriores.