Os tapumes que rodeiam metade da rua principal fizeram esta semana três anos no mesmo sítio, sem que ninguém tenha conseguido perceber o que está, de facto, a ser construído lá dentro. A câmara garante que a obra está «dentro do previsto», frase que só funciona se ninguém perguntar qual era o previsto.
O Mamado passa por ali todos os dias e já tem um repertório de teorias. «Já ouvi dizer que é um parque, uma praça e um centro cultural. A única coisa que nunca vi foi alguém lá dentro a trabalhar, o que é impressionante para uma obra com três anos», contou, espreitando por uma fresta, como faz desde que a obra começou.
A autarquia falou em «ajustamentos técnicos e orçamentais», expressão que já apareceu em pelo menos quatro comunicados diferentes, cada um mais vago do que o anterior.
Os comerciantes da rua adaptaram-se e já indicam a morada como «ao lado da obra», sem precisar de especificar qual, porque só há uma, e é eterna.