A urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santarém fechou em julho, e a de Leiria passou a receber apenas grávidas referenciadas pelo INEM, por falta de médicos para as escalas. O Ministério da Saúde chamou-lhe «medida temporária e excecional», a mesma dupla de palavras que já perdeu qualquer poder de tranquilizar seja quem for.
O Mamado, cuja cunhada está grávida na zona de Santarém, ouviu a notícia sem conseguir disfarçar a irritação. «Ainda bem que faltam uns meses, porque se calhar, se fosse agora, a solução seria mesmo esperar pelo INEM e torcer», comentou, a olhar para o mapa de hospitais como quem planeia uma fuga.
A administração regional garantiu que as grávidas continuam a ter acesso a cuidados de urgência, apenas a distâncias maiores, um pormenor que soa bem melhor em comunicado do que numa contração de trabalho de parto.
Segundo os dados do sector, os encerramentos de Obstetrícia foram, no primeiro semestre, a esmagadora maioria de todos os encerramentos de urgências do país, o que já não é falta de sorte, é padrão.