O chamado «preço justo» dos combustíveis, indicador que devia acompanhar as margens das petrolíferas, voltou a subir entre sete e oito cêntimos, com o gasóleo acima dos dois euros e dez. No mesmo dia, 201 dos 308 concelhos estavam em risco de incêndio Elevado ou superior, o que dá ao país duas más notícias ao preço de uma.
O Mamado, que planeava ir de carro à aldeia dos avós, não sabia qual das notícias lhe dava mais motivos para ficar em casa. «Entre pagar o combustível mais caro do ano e arriscar uma estrada cortada por fogo, o sofá tornou-se, de repente, a opção financeiramente mais responsável», resumiu.
As entidades que calculam o «preço justo» explicaram que o indicador reflete custos e margens ao longo da cadeia de distribuição, um cálculo que, por coincidência notável, parece justificar sempre subidas e raramente descidas.
O risco de incêndio elevado, nesta altura do verão, já não é exceção, é a condição normal de mais de metade do país, o que talvez merecesse um adjetivo mais honesto do que «justo».