A CGTP e vários sindicatos da função pública convocaram uma greve das carreiras gerais para 2 de outubro, prevendo a adesão de cerca de 350 mil trabalhadores. Entre as reivindicações estão a atualização salarial e a revisão de carreiras que, dizem os sindicatos, «estagnaram», palavra que aqui até parece simpática.
O Mamado, com uma tia na função pública, já foi avisado para tratar de tudo antes da data. «Aprendi que quando há greve marcada, o melhor é despachar tudo antes. Se corre mal, ao menos já não fico à espera de nada», comentou, com a experiência de quem já viu este filme várias vezes.
O Governo reconheceu o direito à greve mas apelou ao «sentido de responsabilidade» dos trabalhadores, expressão que, em português corrente, costuma anteceder o anúncio de serviços mínimos e o silêncio sobre o resto das exigências.
Falta saber quantos dos 350 mil vão mesmo parar, e quantos portugueses só vão descobrir a greve ao chegar ao balcão fechado, como manda a tradição.