A gasolina vai descer dois cêntimos por litro a partir de segunda-feira, e a notícia foi recebida com um entusiasmo desproporcional para quem, no mês anterior, viu o preço subir quarenta e dois cêntimos sem que ninguém comemorasse nada. Os especialistas chamam a isto «equilíbrio natural do mercado», expressão que serve tanto para subidas como para descidas, o que a torna praticamente à prova de crítica.
O Mamado, que anda com o depósito sempre a um quarto desde que os passes ficaram inacessíveis, não se deixou levar pelo otimismo. «Dois cêntimos não me devolvem os quarenta que já paguei. É como agradecerem a alguém por devolver dois euros depois de lhe roubarem quarenta», comparou.
A ENSE atribuiu os preços a variáveis internacionais complexas, nenhuma das quais sob controlo português, o que deixa o país numa posição confortável de nunca ter culpa de nada, apesar de pagar sempre a fatura.
O próximo ajustamento, garantiu o sector, deve ser uma subida. Sobre isso, pelo menos, ninguém mente.